terça-feira, 19 de agosto de 2014

De olho em 2016: conheça Isaquías Queiroz

    Hoje falaremos de uma das esperanças de medalha para os Jogos Olímpicos de 2016. É o canoísta Isaquias Queiroz. Passada a Copa do Mundo de Futebol, o mundo dos esportes vira seus olhos para este evento. E o Mais Um acompanha diversos esportes e vai dar seu pitaco sobre alguns deles.

     O Brasil tem pouquíssima tradição na canoagem. A modalidade é disputada em dois estilos: velocidade e slalom. Isaquias Queiroz disputa no estilo velocidade. São disputadas 3 provas neste estilo nas Olimpíadas (C1 200 metros e C1 1000 metros (individuais) e C2 200 metros (dupla). Antes de Isaquias Queiroz, o nome mais conhecido neste esporte tinha sido Sebastian Cuattrin, um argentino naturalizado brasileiro. Diferentemente de Queiroz, Cuattrin competia no caiaque (K). Ou seja, na modalidade slalon. Cuattrin medalhou em panamericanos e participou das Olimpíadas de Atenas, em 2004.

     Isaquias Queiroz já pode ser considerado o melhor atleta brasileiro na modalidade de toda história. Os olhos da impressa e do mundo se voltam para Queiroz desde 2011, quando ele ganhou duas medalhas nos Jogos Mundiais Junior de canoagem. Nesta competição, o atleta ganhou duas medalhas. Uma na prova não olímpica do C1 500 metros (prata). Outra a medalha de ouro na prova olímpica C1 200 metros. Com esse feito, se tornou o primeiro atleta brasileiro a ser medalhista em um mundial da categoria.

     

     O atleta fez muito bem a transição de júnior para profissional. Em seu primeiro mundial, em 2013 na Alemanha, conquistou duas medalhas. Bronze na prova olímpica do C1 1000 metros. E ouro na prova não olímpica do C1 500 metros. Mais uma vez, foi o primeiro atleta brasileiro a conseguir tal feito. Na transição do júnior para o adulto, o atleta decidiu não competir no C1 200 metros.

    Este ano, Queiroz começou muito bem! Primeiro na etapa da Copa do Mundo de canoagem, ocorrida em maio na Itália, ganhou duas medalhas. Ouro no C1 500 metros. E bronze no C1 1500 metros (não olímpica). No mundial o atleta teve uma participação quase perfeita! Bateu recorde do mundial no C1 500 metros nas semifinais e ganhou o ouro novamente. No C1 1000 metros a medalha de ouro não veio por pouco. O atleta caiu da canoa a poucos metros do final da prova e foi desclassificado. Mas não parou por aí. Visando os jogos olímpicos, o atleta começou este ano a competir com Erlon de Souza na prova C2 200 metros. E a estreia foi excelente! A dupla foi medalha de bronze!

    Ainda faltam dois anos para as Olimpíadas. Mas sem dúvidas, Isaquias Queiroz tem feito um ciclo olímpico excelente e vai se tornando um dos poucos atletas brasileiros a ter chances reais de medalhas em 2016! O Mais Um vai acompanhar a trajetória do atleta!

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A primeira derrota de Hitler: Jesse Owens e a vitória da humanidade

               
           Em 2013 completava-se 100 anos do nascimento de uma das maiores lendas do esporte mundial: Jesse Owens. Por coincidência, ou não, neste ano estreou no mundo todo o filme “A menina que roubava livros”, ambientado nos anos da 2ª Guerra Mundial. Em uma das cenas as personagens Liesel e seu amigo Rudy protagonizam uma das mais belas partes do filme. As crianças apostam corrida pelas ruas do bairro e Rudy se pinta de carvão para ficar negro, pois seu ídolo era ninguém menos do que Jesse Owens, que poucos anos antes da cena retrada no filme havia derrotado a ideologia nazista nas Olimpíadas de Berlim em 1936.


                Além da belíssima homenagem a este ícone do esporte, a cena nos mostra como muitos seres humanos se recusaram a aceitar a ideologia antiluminista de superioridade racial, que é a base do Nazismo. Um menino ariano no auge do Nazismo sonhando em ser um negro! Esta é uma das várias leituras que podemos ter sobre a vida de Jesse Owens. Inspirador de igualdade, de utopias! O homem que provocou a primeira derrota de Hitler! No último dia 03 de agosto completou-se 78 anos desta derrota.    O ano era 1936 e Hitler estava há três anos no poder e via seu governo se consolidar, criando uma hegemonia nazista na sociedade alemã.  Neste contexto, as Olimpíadas seriam a coroação da superioridade ariana perante o mundo. Hitler havia investido muito para realizar a maior Olimpíadas da história. O estádio de Berlim, por exemplo, era o maior do mundo, com capacidade para mais 100 mil pessoas. Além disso, nesta Olimpíadas Hitler testou seus mecanismos de propaganda, pois o evento começou a ser gravadas e exibidas mundo afora. Mas ao invés da superioridade ariana, Hitler teve que ver atletas negros americanos vencerem diversas provas.
                Os Estados Unidos levaram 16 atletas afro-americanos para as Olimpíadas de Berlim, em 1936, desses 06 ganharam ouro no atletismo. Um deles foi o primeiro a derrotar Hitler, mesmo que simbolicamente, nestas Olimpíadas. Cornelius Johnson venceu a prova do salto em distância, no estádio de Berlim lotado com mais de 100 mil pessoas, diante de Hitler, que para não ter que cumprimentar e premiar Cornelius abandonou o estádio. E não pode mais voltar, pois os atletas afro-americanos dominaram as provas de atletismo, sendo Jesse Owens o maior deles! Vejamos um pouco mais da vida deste herói negro ...
                Jesse Owens nasceu em 1913 em Oakville, sul dos Estados Unidos. Era neto de escravos, filho mais novo de 7 irmãos. Ainda criança, ele e toda sua família mudaram-se para Cleveland, norte dos Estados Unidos, fugindo da opressão racial que imperava no sul daquele país. Essa migração não foi algo especifico da família Owens. Entre o fim da escravidão nos Estados Unidos em 1865 e as primeiras décadas de século XX, mais de 1,5 milhões de afro-americanos migraram do sul para o norte daquele país.
                Jesse Owens foi um atleta espetacular. Desde sua carreira na High School ele simplesmente destruía os recordes americanos nas provas de 100 metros, 200 metros e salta em distância. Em 1928, ele bateu o recorde Junior nacional na prova dos 100 metros rasos. Daí em diante, tal feito seria algo corriqueiro na vida dele. Venceu todas as competições estaduais e nacionais. Na High Scholl bateu o seu primeiro recorde mundial, na categoria junior, no salto em altura, em 1930.  E ingressou na Universidade de Ohio em 1931, aos 18 anos. Não conseguiu bolsa e além de competir e estudar, trabalhava a noite como garçom, como operador de elevadores, como bombeador de gás e numa biblioteca. Mesmo assim, sua carreira atlética seguia brilhante!
                Em 1935, conseguiu o que para muitos até hoje é o maior feito esportista na história. No campeonato nacional americano, Owens bateu 4 recordes mundiais no mesmo dia, com um intervalo de apenas 45 minutos! Consagrou-se vencedor nas 4 provas em que seria medalhista de ouro olímpico: 100 e 200 metros, revezamento 4 x 100 metros e salto em distância. Sendo assim, Owens já chegou nas Olimpíadas de Berlim como uma estrela do esporte americano.
                Nas 4 provas que competiu, Owens confirmou seu favoritismo e venceu. Em nenhuma delas Hitler estava no Estádio Olímpico de Berlim. Os negros norte-americanos dominaram as provas de atletismo e o chefe máximo do Nazismo não queria ser humilhado e entregar as medalhas de ouro. Owens foi o primeiro atleta a ganhar 4 medalhas de ouro em uma mesma Olimpíadas. E assim permaneceu por muitos anos. Apenas em 1984 outro atleta negro, Carl Lewis, igualou tal feito no atletismo.
                Mas as vitórias de Owens não pararam por aí. Ao regressar aos Estados Unidos, ele se deparou com todo o racismo da sociedade norte-americana. Anualmente o maior atleta dos esportes amadores americanos era presenteado com o troféu (ver o nome ... nova pesquisa). No ano de 1936 o premiado foi Glenn Morris, atleta branco vencedor do declato nas Olimpíadas de Berlim. O troféu era entregue numa suntuosa cerimônia na Casa Branca pelo presidente norte-americano. Neste caso, Franklin Roosevalt. Sobre este episódio, Owens escreveu em sua biografia: "É verdade que Hitler não me cumprimentou, mas também nunca fui convidado para almoçar na Casa Branca".
                Neste mesmo ano, a Federação Americana de Atletismo retirou a licença de esportista amador de Owens. O que naquele contexto significa parar de competir, pois só atletas esportistas amadores competiam. Com isso, Owens chegou a correr contra cavalos para conseguir seu sustento. E mais, durante as décadas de 1940 e 1950, quando ainda estava no ostracismo em seu país, trabalhou com jovens carentes em Cleveland.Trabalho que faria por toda a vida. Criou a instituição Chicago Boys, que atendeu mais de 150 mil crianças ao longo da vida de Owens.
                Na década de 50, ele sai do ostracismo público e começa a trabalhar para o estado, sendo contratado Especialista de Esportes do Estado de Illinois. Em 1955 foi nomeado pelo Departamento de Estado nacional como Embaixador do Esporte. No cargo, viajou por diversos países e foi o representante dos Estados Unidos nas Olimpíadas da Austrália de 1956.
                Mas é apenas em 1976, após as lutas por direitos civis dos negros, das quais Jesse Owens nunca participou ativamente, que a lenda vida dos esportes é recebida na Casa Branca. Na data recebe a maior honraria civil nos Estados Unidos, quando o presidente Gerald Ford presenteou-o com a Medalha. Em fevereiro de 1979, retorna para a Casa Branca e é recebido por Carter, que lhe presenteia com o Living Legend Award. No ano seguinte, Jesse Owens falece devido a um câncer no pulmão.

                Considero que Owens é o maior ícone do esporte da história. Suas vitórias nas Olimpíadas de Berlim simbolizaram a luta humana contra a tirania, a pobreza e a intolerância racial.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Quem construiu Tebas, a das sete Portas? Trabalho escravo nas obras para a Copa de 2022

Qual a imagem do Catar que você vê na imensa maioria dos jornais? Possivelmente de extrema luxuosidade. É a fundação Catar patrocinando o Barcelona. Os prédios gigantescos e suntuosos deste território do chamado Emirados Árabes Unidos. O fato de ser o país com a maior renda per capita do mundo. E, agora, a cereja no bolo. O país, sem qualquer expressão futebolística, sediará a Copa do Mundo de 2022 em escolha comprovadamente corrupta. Mas será que esta é a realidade das pessoas que vivem de seu trabalho no país?

Infelizmente, a resposta é não. O jornal inglês The Guardian dando continuidade à série de reportagens "escravidão nos dias modernos em foco" mostra como luxo e pobreza são faces da mesma moeda, pois reportagem do jornal (ver aqui) constatou a existência de trabalho análogo à escravidão nas obras dos estádios da Copa de 2022! Para construir o “fántastico mundo da Fifa” os cataris terão que desembolsar bilhões de reais, fazendo a festa das diversas famílias reais do território, pois são as mesmas que controlam toda a economia local. E o trabalhador que irá construir tais “maravilhas da arquitetura”? Afinal, como tão bem disse Bertold Brecht, no famoso poema "Perguntas de um Operário Letrado": "Quem contruiu Tebas, a das sete Portas?/ Nos livros vem o nome dos reis,/ Mas foram os reis que transportaram as pedras?". Também no Catar, os verdadeiros autores da transformação estão longe da suntuosidade mostrada na TV sobre aquele país.

Centenas de trabalhadores vindos do Nepal, do Sri Lanka ou da Índia trabalham em condições que caracterizam a aproximação com a escravidão. Ou seja, não recebem salários, vivem em condições sub-humanas e tem graves restrições no direito de ir-e-vir. Mais uma vez, o máximo da ostentação e da teconologia convive com o maior grau de exploração! Em apenas dois meses, período da reportagem, foram constatadas a morte de 24 pessoas. Continuando nesse ritmo, até a Copa de 2022 mais de 4 mil trabalhadores perderão a vida!

A entidade máxima do futebol, FIFA, tem centenas de páginas de exigências dos países que irão receber seus eventos, lucra bilhões com o esporte que mais mobiliza seres humanos ao redor do globo e não exige qualquer tipo de protocolo para que o evento cumpra padrões sociais mínimos. No Brasil, a Copa do Mundo já desalojou centenas de pessoas. E o filme se repete no Catar/2022. Tal fato em nada me surpreende, dada a forma como tais eventos são gestados e organizados. O máximo de lucros para os que comandam são sustentados pela exploração do trabalhador. 

Fica a pergunta, até quando?

domingo, 28 de julho de 2013

Lutar, lutar, lutar ... E lutaram, venceram: Atlético Mineiro Campeão da Libertadores 2013!

               No hino do Atlético Mineiro duas palavras se destacam: lutar e vencer. São as palavras que mais se repetem ao longo da música que é entoada euforicamente pela torcida do Galo em cada jogo. Pois bem, a torcida e o time do Atlético fizeram jus à canção e lutaram muito durante toda a Libertadores! Cada jogo no horto era um espetáculo a parte. Honram o nome e a história de 105 anos do clube.
                O Galo não ganhava um título de repercussão nacional e internacional desde 1971. Mesmo tendo times como o de fins dos anos 70 e início dos anos 80. Ou o vice-campeão brasileiro de 1999. Entre os 12 clubes considerados grandes no país era o maior jejum. Entretanto, a falta de títulos nunca foi um empecilho para a torcida atleticana! Nos tempos em que morei em Minas, o Atlético estava na segunda divisão. E mais, no começo do campeonato estava na zona de rebaixamento. Mesmo assim, a torcida lotava o Independência. Ali, percebi que o dito que qualificava o time como “massa” era mais do que verdadeiro! Aqueles sujeitos que individualmente pouco representariam, ao se somarem e acrescentarem o amor ao time formavam algo grande, forte, homogêneo e capaz de crescer, como também se solidificar igualmente a uma massa!
                A torcida atual do Galo sempre teve dimensão das limitações do time nos últimos tempos, quiça décadas. Não era a qualidade técnica do elenco e nem os títulos que formavam a identidade, o elã para formar uma torcida apaixonada. Mas, sim, a luta, a raça de todos aqueles que torcem para o Galo. Pois bem, agora, além desse elã há um time que alcançou o título mais cobiçado atualmente por qualquer clube brasileiro. A alegria de dizer “Galo Doido” ou “Galão da Massa” vai ficar estampada nos rostos de cada Atleticano por muito tempo. E, mais do que isso, caso o tempo empoeire o título, a alegria continuará inexorável. Como diz o hino: “nosso time é imortal!”

                Parabéns Clube Atlético Mineiro! Galo Forte e Vingador!

quarta-feira, 13 de março de 2013

O Barcelona e o jeito 'simples' de jogar futebol

   Poderia falar sobre uma imensidão de detalhes do jogo entre Barcelona e Milan, ocorrido ontem 12/03. Mas falarei de apenas um deles e o que mais me chamou a atenção ontem: a troca de passes rápida e precisa.
   Esse time do Barcelona há anos é marcado por fazer questão de ter a posse de bola. E marcar sobre pressão para obter a pelota quando a mesma está com o adversário. Pois bem, essas duas características do time, aliadas à genialidade de seus jogadores, arrasaram com o time rossonero.
   Dos quatro gols do Barcelona, três foram marcados após recuperar, rapidamente, a bola. O segundo, o terceiro e o quarto gol. Essa rápida recuperação da redonda se alia a uma impressionante troca-de-passes entre três ou mais jogadores, destruindo o sistema defensivo adversário. E mais, toques rápidos, precisos sem que cada um dos jogadores fiquem mais do que poucos segundos com a bola. A regra é dar um, dois ou, no máximo, três toques. Vejamos uma análise de gol por gol.
   No primeiro tento do time blaugrana, o único que não foi feito após uma retomada rápida da bola, o Barcelona trocava passes em busca da hora certa, do momento exato para atacar. Em um momento que a grande maioria dos times buscariam jogo pela lateral, ou fariam troca-de-passes pouco produtivas, o Barcelona ataca e pelo meio-do-campo, na entrada da área. O Milan tinha uma linha de 5 marcadores dentro da área e mais três na entrada da área. Dos 11 jogadores, apenas 1 estava atrás da linha da bola. Como passar por uma linha defensiva assim? Pergunte ao Barcelona! A jogada começa com Iniesta, que toca para Pedro, este de primeira aciona Busquets, que domina e toca na meia lua da área para Messi. O genial tabela com Xavi e coloca no ângulo. 1 a 0! Durante toda a jogada apenas Messi e Busquets tocaram mais de uma vez na bola. E deram, somente, dois toques! Mais um detalhe, quando Messi finaliza, o Milan tem 9 jogadores dentro da área e o time blaugrana tem, apenas, dois. Messi e David Villa. 
   Se com a defesa adversária postada o Barcelona faz assim, imagine ao roubar a bola ... Iniesta retoma a pelota já no campo-de-ataque, avança e toca para Messi, que domina, com mais um toque joga a bola para o lado esquerdo e finaliza. Gol! 2 a 0.
   Segundo tempo. O Milan tenta sair com a bola, Mascherano dividi. A redonda sobra para Iniesta. De primeira para Xavi. Para não fugir a tradição, de primeira para David Villa. Um toque para dominar e, ao mesmo tempo, deslocar o corpo na direção do gol. Um toque para finalizar. 3 a 0!
   Por fim, o resultado classificaria o Barcelona. Mas um gol do Milan reverteria a classificação para o time rossonero. Então, pressão do Milan, que ataca com praticamente todo o time. Perde a bola próximo à área do Barcelona. Contra-ataque. Bola para Messi no meio-campo. Por necessidade ele domina, fica com a bola alguns segundos para que seu time avance e se poste para o contra-ataque. Como em uma aula, um jogador do Barcelona passa pelo lado direito (Alex Sanchis). Dois avançam pelo lado esquerdo (Jordi Alba e Adriano). Messi toca para Alexis.  De primeira, como quase sempre nesse time, ele inverte a bola para Jordi Alba. Dois toques na bola, um para o domínio e outro para o chute. 4 a 0!!!!
   Festa no Camp Nou. A energia contida, junto à raiva devido as desconfianças que colocaram em cima deste time explodem! Quase cem mil pessoas cantam, festejam, celebram a beleza de um jogo que o Barcelona pratica como nenhum outro na história do futebol. 


   Nos quatro gols do Barceloa apenas Messi, no segundo e no quarto gol, e Iniesta no segundo deram mais de dois toques na bola. Nenhum drible para que acontecessem os gols. E, apenas no segundo gol somente dois jogadores participaram do ataque que resultou no momento sublime do futebol. 
   Jogo coletivo. Tanto na troca de passes de que participam praticamente todo o time, como na marcação que envolve, aí sim, todo o time. Ataques verticais em direção ao gol, somado ao famoso não está mais comigo. E, claro, técnica dos jogadores que conseguem colocar em prática tal jogo. 
  Antes de começar a partida, um torcedor do Barcelona disse "nosso time jogando como sabe é invencível". O resultado comprova que ele estava certo!
   

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A Chantagem Olímpica


Essa semana, em caráter de urgência, a Câmara de Vereadores da cidade do Rio de Janeiro recebeu um projeto vindo do executivo que é elucidativo de como a Copa da Mundo e as Olimpíadas se tornaram um dos principais motores para que a iniciativa privada lucre com o apelo popular desses eventos em detrimento do público.  E mais! Com total anuência e ajuda de nosso governantes. Assim, se configura uma remodelação dos espaços públicos em um projeto de elitização, que chamo de Faxina Étnica! Vamos explicar essa história.

O projeto de Lei enviado à Câmara propõe alterações em uma Zona de Conservação da Vida Silvestre (ZCVS) na região da reserva florestal de Marependi, zona oeste da cidade, também conhecida como Barra. Pelo mesmo, essa ZCVS poderá em uma área de 58 mil metros quadrados ter um campo de golfe construído e, também, abrigar prédios de mais de 20 andares, quando o antigo padrão era de 6 andares. Aparentemente, algo normal na vida de grandes cidades brasileiras. Mas não é bem assim.

Primeiramente pela relação existente entre a empresa responsável pela construção, tanto do empreendimento imobiliário como do campo de golfe, a RFZ Cyrella e de um dos seus acionistas o italiano Pasquale Mauro, conhecido grileiro de terras no Rio de Janeiro.

A área em que se situa tanto o empreendimento imobiliário, como o “futuro”  campo de golfe são fruto de ferrenha disputa pela posse da terra entre Pasquale Mauro, a ELMWAY Participações e o espólio de duas outras pessoas. Este caso está no Supremo Tribunal de Justiça e, por ora, a posse do terreno continua com Pasquale Mauro. Entretanto, a ELMWAY já disse que ganhando a disputa tem outros planos para a área. Além disso,  Cyrella e outras empresas do ramo são uma das principais doadoras para a campanha de Eduardo Paes, mostrando a relação entre empreiteiras e esse grupo político na cidade do Rio de Janeiro.

Além disso, no processo que dá a posse de terra ao Pasquale foi julgado por Luiz Sveiter em outubro do ano passado, quando este presidia o TRJ/RJ. Cruzando dados sabemos que a Cyrella tem negócios com o escritório de advocacia da família Sveiter e, também, a Cyrella doou dinheiro para a campanha do, agora, deputado federal Sergio Sveiter. Sendo assim, Luiz Sveiter deveria se declarar inapto para julgar o caso. Como não o fez, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em dezembro do ano passado abriu processo contra o desembargador Luiz Sveiter. Como se vê, não existe fronteiras entre os interesses do grupo Cyrela, o judiciário e o executivo do Rio de Janeiro.

De acordo com o prefeito do Rio de Janeiro a prefeitura não gastará um centavo com a construção do campo de Golfe. Toda a construção será bancada pela construtora Cyrella em contrapartida da construção de um conjunto de prédios na região. Cabe ressaltar que o valor de mercado do terreno em que se construirá o Golfe é de R$ 2 bilhões e 200 milhões de reais. E o valor da construção seria de R$ 60 milhões. Cabe perguntar. Qual empresa faria essa doação bilionária sem interesses para além do resort? Além disso, o terreno não passará para a posse para o estado. O uso será de 25 anos. Depois desse período o terreno volta para as mãos da iniciativa privada.

É uma influência no modo de governo que vai para além dessa região e afeta todo o estado do Rio de Janeiro. A Copa do Mundo e as Olimpíadas são catalisadores de uma forma de gerir o estado que é elitista e contrária aos interesses do bem comum. Expulsão dos moradores para áreas distantes, favorecimento das grandes empresas do ramo empreiteiro, financiamento de campanha de políticos tudo se fecha em um mesmo projeto de cidade.

Tudo em nome das Olimpíadas. É um novo tipo de coação, a “Chantagem Olímpica”.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Dia 10 do Mês da Defesa do Pênalti do Marcelinho, Do ano I, da Era de São Marcos: voltaremos!


Passaram-se pouco mais de 48 horas do rebaixamento da Sociedade Esportiva Palmeiras. O segundo em 10 anos! Um time da grandeza do Palmeiras não merece ser tratado dessa forma por uma geração de dirigentes amadores e que se preocupam com vagas em estacionamento, saunas e outras pequenezes enquanto rebaixam um dos titãs do futebol nacional.

Não a toa centenas de palmeirenses protestam contra a diretoria do clube em várias cidades do país! O presidente Tirone logo após o rebaixamento perguntado sobre o futuro, respondeu que o futuro era o hoje. Um presidente do Palmeiras que não consegue planejar o futuro do maior campeão nacional de nosso futebol? E que no dia seguinte vai para a praia do Leblon! Definitivamente nosso clube está nas mãos de amadores, para dizer o mínimo. Sobrenomes de conselheiros do Palmeiras me fazem pensar que estamos diante uma “casa real” digna de histórias do Cervantes pelas tantas trapalhada ques fazem!

E diante dessas trapalhadas surge a torcida palmeirense, uma verdadeira Dom Quixote que acredita e luta para recolocar o time no lugar que merece!

Uma torcida que há mais de década faz movimentos para se associar ao clube, virar conselheiros, influenciar a política do clube com um plano definido para a modernização do futebol e que este ano alcançou uma primeira grade vitória com a aprovação da eleição direta para presidente! Retiramos um pouco do poder deste Conselho Palmeirense que pensa e age como se vivesse em uma ordem feudal. Nosso conselho não passou pelo Iluminismo!

Não tenho dúvidas de que a torcida do Palmeiras será o principal alicerce para a nossa volta. E aqui não há nada de ufanismo. Cada palmeirense sofreu muito no domingo. Chorou, entristeceu. É o contrário. Sabedores da pequenez de nossas últimas diretorias é que o palmeirense se politiza. Talvez nenhum outro torcedor no Brasil precise se preocupar mais com o fora de campo e menos com o time e com a arquibancada.

Não imaginamos que o amor que sentimos pelo Palmeiras é maior ou menor do que o de outras torcidas. Outros times do mundo passaram por situações piores e se levantaram.

Apenas amamos esse clube! A beleza do amor pelo clube é isso. Não enxergamos apenas aquilo que o rebaixamento revelou. Vemos não aquilo que o Palmeiras é. Mas aquilo que foi e que pode e será! E essa é a beleza de nosso amor pelo Palmeiras.

Por isso, sabemos dimensionar a grandeza dessa instituição. Somos o maior campeão nacional, com 11 títulos, do maior país do mundo quando falamos de futebol! A perseguição que nossos ancestrais sofreram por sua origem italiana se tornou orgulho de mostrarmos o azul e o vermelho e nos chamarmos de palestrinos. Viver décadas sobre a nefasta influência daquele que nem merece ter seu nome escrito gerou um movimento de nossa torcida único no país. Um movimento que essencialmente de fora (torcida) para dentro (administração do clube). Muitos de nós queríamos apenas fazer o que gostamos: torcer para o Palmeiras. Mas hoje isso não é suficiente. Temos que torcer e politizar o Palmeiras. E é isso que faremos!

Sofremos? Sim! Mas só quem ama sabe o que é sofrer! Voltaremos!

PS: No dia 04 de janeiro de 2012 São Marcos do Palestra Itália anunciava sua aposentadoria. Naquele mesmo instante se iniciava uma nova era no Futebol. A Era São Marcos. E como toda nova Era, ela precisa de um calendário próprio. Este, como tantos outros, tem origem solar. Mas nosso sol é o grande ídolo São Marcos.