quinta-feira, 12 de julho de 2012
De volta ao lugar que nos cabe
domingo, 13 de maio de 2012
Como alguém pode não gostar deste negócio
terça-feira, 27 de março de 2012
De mãe para filho
domingo, 4 de março de 2012
Racismo e Homofobia no esporte. Qual lição podemos aprender?

Casos de racismo contra esportistas são comuns na Europa, principalmente de jogadores origem/ascendência africana e sul-americana. Já no Brasil nos últimos anos vimos casos de jogares de futebol agredirem outros jogadores com palavras de cunho racista. Entretanto, a torcida proferindo palavras de cunho racista contra um esportista no Brasil, eu não me lembro de ter ocorrido. Mesmo que em um ginásio de Vôlei ser muito mais fácil de escutar uma agressão do que em um estádio de futebol. Além disso, dado o contexto mundial de aumento da xenofobia e do racismo no mundo, esse caso deve ser tratado com a maior atenção possível pela sociedade, pelos clubes de vôlei, pela CBV e pelo estado brasileiro.
Pois bem, no jogo seguinte, sábado, 03/03, o time do Wallace recebeu em Contagem o Vôlei/Futuro, que quando entrou em quadra, mostrou gestos que merecem todo destaque. Os jogadores entraram com a camisa do time sem a logomarca do patrocinador. No lugar os dizeres “VF Contra a Discriminação”. Além disso, todos os jogadores do Vôlei/Futuro estavam com o nome de Wallace, ao invés dos seus, na camisa. Para coroar, a camisa era toda preta.
Mais uma vez o time de Araçatuba teve uma atuação da mais dignas e que merece elogios. Lembremos que ano passado um jogador da equipe, Michael, sofreu agressões verbais homofóbicas em um jogo do Vôlei/Futuro contra o mesmo Cruzeiro/Sada. E a equipe tomou a causa do jogador para si, fez campanha contra a homofobia e o caso ganhou repercussão nacional, contribuindo para o debate contra a homofobia em nossa sociedade.
Agressões homofóbicas e racistas são comuns no cotidiano brasileiro e a sociedade e o estado muitas vezes não atribuem a devida atenção às mesmas. Além disso, ambas são fenômenos associados ao que o século de XX de pior legará para a humanidade, o totalitarismo/fascismo presente no indivíduo e na sociedade. Ou seja, esses casos expressam um sentimento por parte do indivíduo, ou de parte da sociedade, que considera que determinadas características suas (cor da pele e opção sexual) faça com que sejam melhores do que outras pessoas e que, por causa disso, as pessoas que não partilham de suas características perdem totalmente ou em parte sua própria humanidade.
Ganha maior destaque o fato de que em ambos os casos o ofendido foi uma pessoa considerada com um status maior pela sociedade, pois são atletas. E o agressor é um comum, um torcedor. Assim, o grau de superioridade que se atribui o sujeito é tão alto que ele agride até mesmo um atleta. Se faz isso com os mesmos, imagine o que não faz na vida cotidiana com pessoas que nossa sociedade atribui um status inferior?
Com tudo isso, quero dizer que se a homofobia chega até aos atletas, pessoas com status superior em nossa sociedade, e proferidas por torcedores é porque o nível de fascismo presente na sociedade alcança níveis preocupantes e devem ser tratados com toda seriedade pelos atletas, clubes, confederações e, principalmente, pela sociedade e pelo estado brasileiro!
Assim, a atitude do Vôlei Futuro de denunciar e apoiar os agredidos em ambos os casos merece aplausos e colocam o esporte no patamar que realmente é o seu: de uma prática cultural que mantêm intima relação com a sociedade e, que por isso, tem uma função social a desempenhar para a qual não pode virar as costas!
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Voltei!
terça-feira, 7 de julho de 2009
Você acredita nisso?
Natália Miranda Vieira, 36 anos, professora universitária de Natal (RN) - Como o governo federal vai garantir que não haja uma sangria de dinheiro público nas obras que serão realizadas para a Copa de 2014, a exemplo da que ocorreu nas obras para os Jogos Pan-americanos de 2007?
Luiz Inácio Lula da Silva - Não houve sangria do dinheiro público. Os investimentos no Pan superaram o previsto porque o planejamento inicial, que não foi da responsabilidade do nosso governo, não previu itens necessários para a execução do evento, como por exemplo, segurança pública e a capacidade de 45 mil lugares do estádio João Havelange, projetado para apenas 10 mil pessoas. O governo federal teve que arcar com compromissos do estado e do município, o que não acontecerá com a Copa de 2014. Vamos fazer um planejamento detalhado das obras e depois reunir representantes dos estados e dos municípios sedes para definir responsabilidades, dando transparência ao processo. O Ministério do Esporte vai monitorar as obras para que tudo esteja pronto antes de 2014.
A pergunta de Natália é extremamente relevante, haja vista o histórico de usurpação (roubo) do público pelo privado em nosso país, que tem em obras públicas um de seus principais sustentáculos.
Infelizmente, a resposta do presidente só faz aumentar a certeza de que a Copa do Mundo será um espetáculo para poucos e feita com o dinheiro de muitos. Isso porque, o presidente mente ao dizer que não houve sangria no Pan do Rio. O orçamento inicial do evento foi redimensionado em mais de 1.000%, o Tribunal de Contas da União rejeitou as contas do evento e uma CPI na Câmara dos vereadores do Rio só não ocorreu porque o então prefeito, Cesar Maia, "mexeu os pauzinhos" para acabar com a Comissão. Ou seja, segundo o presidente, um sujeito honesto errou em mais de 1.000% a previsão de gastos do Pan, mas sem nenhum dolo. E nosso bondoso governo teve que reparar o erro do administrador público (merece esse nome?) com o nosso dinheiro.
Além disso, mal foram oficializadas a sede da Copa de 2014 e já teve governador dizendo que não terá dinheiro da iniciativa privada para o evento e que devido a grandeza do mesmo, valerá a pena o investimeno público. Por fim, nosso ministro dos Esportes já garantiu à FIFA que a mesma não pagará impostos em nosso país para administrar o evento, pois a bancada da bola já assegurou que aprovará lei para exonerar a entidade máxima do futebol.
Enfim, você acredita em alguma palavra dita acima pelo presidente Lula? Eu não.
domingo, 14 de junho de 2009
Negros contra a Guerra do Vietnã
Os Estados Unidos apoiavam o Vietnã do Sul desde o início da Guerra do Vietnã, em 1959. Mas foi apenas em 1965 que os americanos enviaram seus soldados para o combate em terras vietnamitas. A atitude desde o início gerou conflitos em solo americano. Apesar de o governo ter todo o apoio da grande mídia, muitos americanos eram contrários ao conflito.
O governo americano, então, achava que a convocação e o aceite de Muhammad Ali em ir à Guerra poderia ser um grande trunfo no convencimento de seus cidadãos pela entrada do país na Guerra. A Casa Branca desejava que um campeão mundial de pesos pesados desse um exemplo para a sociedade, sendo um “bom negro”, cristão e patriota. Exemplificado pela sua adesão à guerra do Vietnã. A escolha de Ali não foi a melhor para isso. O atleta era polêmico, combatia o racismo que havia nos Estados Unidos com sua fama, atitudes e palavras. Além disso, o boxeador havia se convertido em Islamismo em 1964. Assim, Ali tinha em si todo o potencial de lutas raciais nos EUA dos anos 60: negro, não obediente à ordem do país e islâmico.
Assim que soube que poderia ser convocado para a Guerra, Muhammad Ali envia uma carta, em março de 1966, ao governo se recusando de ir para a guerra. A mesma não surte resultado e em abril de 1966 ele é chamado para o conflito. Começa uma verdadeira batalha entre Ali e o governo americano, que tem apoio da grande mídia. Desde o início Ali diz que não irá para a Guerra. É taxado de desertor pelo governo e pela grande mídia americana. Quando perguntado de seus motivos para não ir à Guerra enumerava dois principais: sua religião era contra guerras, e os vietnamitas nunca o chamaram de negro, numa alusão explícita ao racismo da sociedade americana.
O governo e a mídia não poderia tolerar tal ato de desordem e começam a perseguir o boxeador. Afinal, um negro não poderia desafiar a ordem dessa forma. A função social dos mesmo era servir a ordem, seja através da exploração de seu mais valia na época da escravidão. Seja agora indo lutar como soldados para um país que os explorava e os tratava de forma desigual aos brancos.
Ali é condenado em abril de 1967 a 5 anos de prisão, a perca do título de Campeão Mundial de boxe e a sua licença para lutar. Após uma pressão da sociedade, a pena de prisão é cancela. Mas as outras não. Por esse motivo, Ali chama uma coletiva de imprensa com os outros atletas negros para dizer que não cederia, iria cumprir as punições, mas não se renderia ao governo. Não iria à Guerra.
Se reuniram ali 4 dos maiores atletas dos Estados Unidos de todos os tempos. Bil Russel ganhou a NBA 11 vezes e em 5 temporadas foi escolhido o MVP. Atuou no Boston Celtics durante toda a carreira entre 1956 a 1969. Também era um atleta irreverente. Se recusou a retirar o cavanhaque, símbolo de rebeldia, jogava com tênis de cano baixo e não dava autógrafos, pois era uma atitude falsa de aproximação entre o fã e o atleta. Kareem Abdul-Jammar é até hoje o maior pontuador da história da Liga de Basquete Americano com pouco mais de 33 mil pontos. Também atuou contra o racismo e em 1968 se recusou a ir as Olimpíadas do México devido a segregação racial que havia em seu país. Já Jim Brown é um dos maiores corredores da história do futebol americano, detentor de recordes na modalidade por décadas. Por fim, Muhammad Ali é considerado por muios o maior boxeador de todos os tempos e dispensa maiores apresentações.
O encontro marcava a unição de atletas negros de 3 dos 4 esportes mais populares dos Estados Unidos: boxe, basquete e futebol americano. Era um exemplo de como a década de 60 foi um dos mais elevados e, ao mesmo tempo, contestadores período da história moderna dos Estados Unidos. Uma série de lutas ocorriam como o Movimento dos Direitos Civis dos afro-descendentes. E os atletas que se reuniram para dar a coletiva de imprensa foram mais um fato desse forte movimento que ousou desafiar à ordem da sociedade americana de então.
O desenrolar dos acontecimentos no Vietnã mostrou quem tinha razão. Mais de 50 mil soldados americanos morreram em terras vietnamitas e 300 mil voltaram feridos. Em 1970 um clamor público pede a retirada dos EUA da Guerra e a volta de Ali aos ringues, o que ocorre no mesmo ano e o atleta recupera o título Mundial no mesmo ano. Perde o título novamente em seguida. Mas recupera novamente em 1974 depois de uma luta épica contra George Foreman. Já o governo americano decide sair do Vietnã, humilhado, em 1972.