domingo, 28 de julho de 2013

Lutar, lutar, lutar ... E lutaram, venceram: Atlético Mineiro Campeão da Libertadores 2013!

               No hino do Atlético Mineiro duas palavras se destacam: lutar e vencer. São as palavras que mais se repetem ao longo da música que é entoada euforicamente pela torcida do Galo em cada jogo. Pois bem, a torcida e o time do Atlético fizeram jus à canção e lutaram muito durante toda a Libertadores! Cada jogo no horto era um espetáculo a parte. Honram o nome e a história de 105 anos do clube.
                O Galo não ganhava um título de repercussão nacional e internacional desde 1971. Mesmo tendo times como o de fins dos anos 70 e início dos anos 80. Ou o vice-campeão brasileiro de 1999. Entre os 12 clubes considerados grandes no país era o maior jejum. Entretanto, a falta de títulos nunca foi um empecilho para a torcida atleticana! Nos tempos em que morei em Minas, o Atlético estava na segunda divisão. E mais, no começo do campeonato estava na zona de rebaixamento. Mesmo assim, a torcida lotava o Independência. Ali, percebi que o dito que qualificava o time como “massa” era mais do que verdadeiro! Aqueles sujeitos que individualmente pouco representariam, ao se somarem e acrescentarem o amor ao time formavam algo grande, forte, homogêneo e capaz de crescer, como também se solidificar igualmente a uma massa!
                A torcida atual do Galo sempre teve dimensão das limitações do time nos últimos tempos, quiça décadas. Não era a qualidade técnica do elenco e nem os títulos que formavam a identidade, o elã para formar uma torcida apaixonada. Mas, sim, a luta, a raça de todos aqueles que torcem para o Galo. Pois bem, agora, além desse elã há um time que alcançou o título mais cobiçado atualmente por qualquer clube brasileiro. A alegria de dizer “Galo Doido” ou “Galão da Massa” vai ficar estampada nos rostos de cada Atleticano por muito tempo. E, mais do que isso, caso o tempo empoeire o título, a alegria continuará inexorável. Como diz o hino: “nosso time é imortal!”

                Parabéns Clube Atlético Mineiro! Galo Forte e Vingador!

quarta-feira, 13 de março de 2013

O Barcelona e o jeito 'simples' de jogar futebol

   Poderia falar sobre uma imensidão de detalhes do jogo entre Barcelona e Milan, ocorrido ontem 12/03. Mas falarei de apenas um deles e o que mais me chamou a atenção ontem: a troca de passes rápida e precisa.
   Esse time do Barcelona há anos é marcado por fazer questão de ter a posse de bola. E marcar sobre pressão para obter a pelota quando a mesma está com o adversário. Pois bem, essas duas características do time, aliadas à genialidade de seus jogadores, arrasaram com o time rossonero.
   Dos quatro gols do Barcelona, três foram marcados após recuperar, rapidamente, a bola. O segundo, o terceiro e o quarto gol. Essa rápida recuperação da redonda se alia a uma impressionante troca-de-passes entre três ou mais jogadores, destruindo o sistema defensivo adversário. E mais, toques rápidos, precisos sem que cada um dos jogadores fiquem mais do que poucos segundos com a bola. A regra é dar um, dois ou, no máximo, três toques. Vejamos uma análise de gol por gol.
   No primeiro tento do time blaugrana, o único que não foi feito após uma retomada rápida da bola, o Barcelona trocava passes em busca da hora certa, do momento exato para atacar. Em um momento que a grande maioria dos times buscariam jogo pela lateral, ou fariam troca-de-passes pouco produtivas, o Barcelona ataca e pelo meio-do-campo, na entrada da área. O Milan tinha uma linha de 5 marcadores dentro da área e mais três na entrada da área. Dos 11 jogadores, apenas 1 estava atrás da linha da bola. Como passar por uma linha defensiva assim? Pergunte ao Barcelona! A jogada começa com Iniesta, que toca para Pedro, este de primeira aciona Busquets, que domina e toca na meia lua da área para Messi. O genial tabela com Xavi e coloca no ângulo. 1 a 0! Durante toda a jogada apenas Messi e Busquets tocaram mais de uma vez na bola. E deram, somente, dois toques! Mais um detalhe, quando Messi finaliza, o Milan tem 9 jogadores dentro da área e o time blaugrana tem, apenas, dois. Messi e David Villa. 
   Se com a defesa adversária postada o Barcelona faz assim, imagine ao roubar a bola ... Iniesta retoma a pelota já no campo-de-ataque, avança e toca para Messi, que domina, com mais um toque joga a bola para o lado esquerdo e finaliza. Gol! 2 a 0.
   Segundo tempo. O Milan tenta sair com a bola, Mascherano dividi. A redonda sobra para Iniesta. De primeira para Xavi. Para não fugir a tradição, de primeira para David Villa. Um toque para dominar e, ao mesmo tempo, deslocar o corpo na direção do gol. Um toque para finalizar. 3 a 0!
   Por fim, o resultado classificaria o Barcelona. Mas um gol do Milan reverteria a classificação para o time rossonero. Então, pressão do Milan, que ataca com praticamente todo o time. Perde a bola próximo à área do Barcelona. Contra-ataque. Bola para Messi no meio-campo. Por necessidade ele domina, fica com a bola alguns segundos para que seu time avance e se poste para o contra-ataque. Como em uma aula, um jogador do Barcelona passa pelo lado direito (Alex Sanchis). Dois avançam pelo lado esquerdo (Jordi Alba e Adriano). Messi toca para Alexis.  De primeira, como quase sempre nesse time, ele inverte a bola para Jordi Alba. Dois toques na bola, um para o domínio e outro para o chute. 4 a 0!!!!
   Festa no Camp Nou. A energia contida, junto à raiva devido as desconfianças que colocaram em cima deste time explodem! Quase cem mil pessoas cantam, festejam, celebram a beleza de um jogo que o Barcelona pratica como nenhum outro na história do futebol. 


   Nos quatro gols do Barceloa apenas Messi, no segundo e no quarto gol, e Iniesta no segundo deram mais de dois toques na bola. Nenhum drible para que acontecessem os gols. E, apenas no segundo gol somente dois jogadores participaram do ataque que resultou no momento sublime do futebol. 
   Jogo coletivo. Tanto na troca de passes de que participam praticamente todo o time, como na marcação que envolve, aí sim, todo o time. Ataques verticais em direção ao gol, somado ao famoso não está mais comigo. E, claro, técnica dos jogadores que conseguem colocar em prática tal jogo. 
  Antes de começar a partida, um torcedor do Barcelona disse "nosso time jogando como sabe é invencível". O resultado comprova que ele estava certo!
   

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A Chantagem Olímpica


Essa semana, em caráter de urgência, a Câmara de Vereadores da cidade do Rio de Janeiro recebeu um projeto vindo do executivo que é elucidativo de como a Copa da Mundo e as Olimpíadas se tornaram um dos principais motores para que a iniciativa privada lucre com o apelo popular desses eventos em detrimento do público.  E mais! Com total anuência e ajuda de nosso governantes. Assim, se configura uma remodelação dos espaços públicos em um projeto de elitização, que chamo de Faxina Étnica! Vamos explicar essa história.

O projeto de Lei enviado à Câmara propõe alterações em uma Zona de Conservação da Vida Silvestre (ZCVS) na região da reserva florestal de Marependi, zona oeste da cidade, também conhecida como Barra. Pelo mesmo, essa ZCVS poderá em uma área de 58 mil metros quadrados ter um campo de golfe construído e, também, abrigar prédios de mais de 20 andares, quando o antigo padrão era de 6 andares. Aparentemente, algo normal na vida de grandes cidades brasileiras. Mas não é bem assim.

Primeiramente pela relação existente entre a empresa responsável pela construção, tanto do empreendimento imobiliário como do campo de golfe, a RFZ Cyrella e de um dos seus acionistas o italiano Pasquale Mauro, conhecido grileiro de terras no Rio de Janeiro.

A área em que se situa tanto o empreendimento imobiliário, como o “futuro”  campo de golfe são fruto de ferrenha disputa pela posse da terra entre Pasquale Mauro, a ELMWAY Participações e o espólio de duas outras pessoas. Este caso está no Supremo Tribunal de Justiça e, por ora, a posse do terreno continua com Pasquale Mauro. Entretanto, a ELMWAY já disse que ganhando a disputa tem outros planos para a área. Além disso,  Cyrella e outras empresas do ramo são uma das principais doadoras para a campanha de Eduardo Paes, mostrando a relação entre empreiteiras e esse grupo político na cidade do Rio de Janeiro.

Além disso, no processo que dá a posse de terra ao Pasquale foi julgado por Luiz Sveiter em outubro do ano passado, quando este presidia o TRJ/RJ. Cruzando dados sabemos que a Cyrella tem negócios com o escritório de advocacia da família Sveiter e, também, a Cyrella doou dinheiro para a campanha do, agora, deputado federal Sergio Sveiter. Sendo assim, Luiz Sveiter deveria se declarar inapto para julgar o caso. Como não o fez, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em dezembro do ano passado abriu processo contra o desembargador Luiz Sveiter. Como se vê, não existe fronteiras entre os interesses do grupo Cyrela, o judiciário e o executivo do Rio de Janeiro.

De acordo com o prefeito do Rio de Janeiro a prefeitura não gastará um centavo com a construção do campo de Golfe. Toda a construção será bancada pela construtora Cyrella em contrapartida da construção de um conjunto de prédios na região. Cabe ressaltar que o valor de mercado do terreno em que se construirá o Golfe é de R$ 2 bilhões e 200 milhões de reais. E o valor da construção seria de R$ 60 milhões. Cabe perguntar. Qual empresa faria essa doação bilionária sem interesses para além do resort? Além disso, o terreno não passará para a posse para o estado. O uso será de 25 anos. Depois desse período o terreno volta para as mãos da iniciativa privada.

É uma influência no modo de governo que vai para além dessa região e afeta todo o estado do Rio de Janeiro. A Copa do Mundo e as Olimpíadas são catalisadores de uma forma de gerir o estado que é elitista e contrária aos interesses do bem comum. Expulsão dos moradores para áreas distantes, favorecimento das grandes empresas do ramo empreiteiro, financiamento de campanha de políticos tudo se fecha em um mesmo projeto de cidade.

Tudo em nome das Olimpíadas. É um novo tipo de coação, a “Chantagem Olímpica”.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Dia 10 do Mês da Defesa do Pênalti do Marcelinho, Do ano I, da Era de São Marcos: voltaremos!


Passaram-se pouco mais de 48 horas do rebaixamento da Sociedade Esportiva Palmeiras. O segundo em 10 anos! Um time da grandeza do Palmeiras não merece ser tratado dessa forma por uma geração de dirigentes amadores e que se preocupam com vagas em estacionamento, saunas e outras pequenezes enquanto rebaixam um dos titãs do futebol nacional.

Não a toa centenas de palmeirenses protestam contra a diretoria do clube em várias cidades do país! O presidente Tirone logo após o rebaixamento perguntado sobre o futuro, respondeu que o futuro era o hoje. Um presidente do Palmeiras que não consegue planejar o futuro do maior campeão nacional de nosso futebol? E que no dia seguinte vai para a praia do Leblon! Definitivamente nosso clube está nas mãos de amadores, para dizer o mínimo. Sobrenomes de conselheiros do Palmeiras me fazem pensar que estamos diante uma “casa real” digna de histórias do Cervantes pelas tantas trapalhada ques fazem!

E diante dessas trapalhadas surge a torcida palmeirense, uma verdadeira Dom Quixote que acredita e luta para recolocar o time no lugar que merece!

Uma torcida que há mais de década faz movimentos para se associar ao clube, virar conselheiros, influenciar a política do clube com um plano definido para a modernização do futebol e que este ano alcançou uma primeira grade vitória com a aprovação da eleição direta para presidente! Retiramos um pouco do poder deste Conselho Palmeirense que pensa e age como se vivesse em uma ordem feudal. Nosso conselho não passou pelo Iluminismo!

Não tenho dúvidas de que a torcida do Palmeiras será o principal alicerce para a nossa volta. E aqui não há nada de ufanismo. Cada palmeirense sofreu muito no domingo. Chorou, entristeceu. É o contrário. Sabedores da pequenez de nossas últimas diretorias é que o palmeirense se politiza. Talvez nenhum outro torcedor no Brasil precise se preocupar mais com o fora de campo e menos com o time e com a arquibancada.

Não imaginamos que o amor que sentimos pelo Palmeiras é maior ou menor do que o de outras torcidas. Outros times do mundo passaram por situações piores e se levantaram.

Apenas amamos esse clube! A beleza do amor pelo clube é isso. Não enxergamos apenas aquilo que o rebaixamento revelou. Vemos não aquilo que o Palmeiras é. Mas aquilo que foi e que pode e será! E essa é a beleza de nosso amor pelo Palmeiras.

Por isso, sabemos dimensionar a grandeza dessa instituição. Somos o maior campeão nacional, com 11 títulos, do maior país do mundo quando falamos de futebol! A perseguição que nossos ancestrais sofreram por sua origem italiana se tornou orgulho de mostrarmos o azul e o vermelho e nos chamarmos de palestrinos. Viver décadas sobre a nefasta influência daquele que nem merece ter seu nome escrito gerou um movimento de nossa torcida único no país. Um movimento que essencialmente de fora (torcida) para dentro (administração do clube). Muitos de nós queríamos apenas fazer o que gostamos: torcer para o Palmeiras. Mas hoje isso não é suficiente. Temos que torcer e politizar o Palmeiras. E é isso que faremos!

Sofremos? Sim! Mas só quem ama sabe o que é sofrer! Voltaremos!

PS: No dia 04 de janeiro de 2012 São Marcos do Palestra Itália anunciava sua aposentadoria. Naquele mesmo instante se iniciava uma nova era no Futebol. A Era São Marcos. E como toda nova Era, ela precisa de um calendário próprio. Este, como tantos outros, tem origem solar. Mas nosso sol é o grande ídolo São Marcos.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

1714 ou 17:14

O ano era 1714. A Catalunha, mais uma vez, luta por liberdade contra Madri. Na batalha a derrota. No ideal o fortalecimento da nação catalã. Passam-se quase 300 anos. Agora o local da batalha é o estádio do Barcelona, Camp Nou. Mais uma vez, de um lado a Catalunha. Do outro Madri. Aos 17:14 a batalha sai do campo e vai para a arquibancada. Todo o estádio se levanta, bandeiras da Catalunha surgem de todos os lados. O estádio é "pintado" de vermelho e amarelo. Praticamente 100 mil pessoas girtam: Liberdade! Como dizem as várias bandeiras que todo jogo do Barcelona em casa se estendem no estádio: Catalunha não é Espanha. 

O Futebol extrapola fronteiras, mesmo que não o queiram os que dizem comandar o mesmo. Por isso todos os torcedores do Barça dizem: mais que um clube!


quinta-feira, 12 de julho de 2012

De volta ao lugar que nos cabe

Os últimos 13 anos, desde o título da Libertadores de 1999, são um hiato dentro da história super vitoriosa da Sociedade Esportiva Palmeiras. Pois bem, ontem o sentimento advindo da vitória e que ajudar a sedimentar o amor da torcida foi solto mais vez. E da melhor forma possível!

O enrendo foi dos melhores possíveis. Pelo local, pelo técnico que nos levou ao título, pela festa. Foi no Couto Pereira, no local em que sofremos uma das maiores goleadas, 6 a 0, ano pasado. Uma derrota que para muitos da impressa e para torcedores de outros times demonstrava o caminho que o Palmeiras tomava nos últimos anos, Menos para nós, Palestrinos! Ser Palmeirese é ser consciente dos problemas que afetam nossa diretoria, participar de uma torcida que faz campanha por Diretas Já, caso único no Brasil, talvez no mundo. E, principalmente, ser consciente da imensidão que tem a camisa verde e o time de Palestra Itália. Então, o título de ontem veio remomerar essa rica história.

Sendo assim, na noite de ontem, estávamos todos de volta ao Couto Pereira. 5.000 mil palmeirenses estavam lá, no estádio. Outros milhões estavam pelo Brasil todo. Cada torcedor palmeirense estava com sentimentos ambíguos. De um lado a angútia e o sofrimento pelos anos sem títulos. De outro, a certeza de que um time como o Palmeiras um dia retornaria ao lugar que lhe cabe. A vitória, o título e a grandeza fazem parte de nosso DNA!

O jogo passou, a vitória veio, o grito foi solto e o país voltou a ver aquilo que nós palestrinos temos certeza: Palmeiras decampeão nacional! O maior campeão nacional do país. 

Somos a única equipe do Brasil que ganhou todas as competições nacionais que aconteceram no Brasil. Taça Roberto Gomes Pedrosa, Taça Brasil, Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e até um pequeno torneio, que só ocorreu uma vez e fomos campeões, Copa dos Campeões.

Por isso: Aqui é Palestra!

domingo, 13 de maio de 2012

Como alguém pode não gostar deste negócio


Manhã de domingo, como amante do futebol, sabia que a possibilidade de ver a emoção estampada nos rostos do torcedor, a melhor imagem que este esporte pode propiciar, estaria presente na Inglaterra.

Disputavam o título Do Campeonato Inglês as duas maiores torcidas de Manchester e duas das maiores torcidas do país. De um lado o poderoso Manchester United, 19 vezes campeão inglês e a maior potência do futebol daquele país nos últimos 20 anos. Do outro, seu maior rival, Manchester City, 3 vezes campeão, mas que não vencia um Campeonato Inglês desde 1968, que ficou de 1978 até 2011 sem conquistar um único título. Mas que, mesmo assim, tem a maior torcida da cidade de Manchester, em um desses fenômenos de paixão, amor, desprendimento que fogem à lógica do capitalismo.

Para melhorar ainda mais o enredo, o Manchester City tirou uma vantagem de 8 pontos de seu maior rival e chegou na última rodada empatado em pontos, mas com melhor saldo de gols. Uma vitória simples lhe daria um título a muito esperado pelos torcedores do City.

O Manchester United enfrentaria o Sunderland. O Manchester City o Queens Park Rangers. Enredo melhor do que este impossível!!!

O estádio do City estava lotado. Sua torcida alegre, cantando, empolgada. Começam os jogos. Aos 20 minutos do jogo do United, Rooney faz 1 a 0. O título iria para o lado vermelho de Manchester. Pouco depois no jogo do City, aos 38, Zabaleta faz 1 a 0 para os azuis. A torcida grita, canta e vê o que pareceu por décadas inalcançável chegar. Eram crianças, homens, mulheres, senhores. Todos unidos por uma paixão: seu time! Uma paixão que tem no grito de campeão um momento crucial, mas, sem dúvidas, o City mostra que são os laços de solidariedade que envolvem sua torcida que fazem o City ser do tamanho que é.
Começa o segundo tempo. A torcida azul toma seu primeiro baque. O QPR empata com gol de Cisse. O título volta para a metade vermelha. A partir daqui quem ama futebol se apaixonou pelo jogo. A angústia toma conta da torcida do City. O título tão esperado não viria? Barton, jogador do QPR, é expulso. Um pouco de alegria volta aos rostos da torcida azul. Entretanto, aos 20 minutos do segundo tempo, o QPR virá com gol de Mackie. Pesadelo?

A angústia começa a predominar na torcida do City. Um jogador a mais, mas seu time não faz gol. O tempo passa, todos ficam de pé. O goleiro adversário começa a “fechar o gol”. Os minutos continuam passando e nada de bola na rede. Alguns rostos já começam a passar da angústia para a tristeza. 40 minutos de jogo. Lágrimas caem dos rostos de alguns. 45 minutos. Acabou? Não!

Aos 46 Dzeko faz o gol de empate. A torcida vibra, explode. A esperança que não tinha acabado volta a dominar a todos. O gol deixa o QPR na lona. Na saída, ao invés de tentar manter a posse da bola, o time dá um chute para a linha de fundo. Na torcida, todos de pé, nervosos, ansiosos, emocionados. Mãos na cabeça, pulos. Em um lance, o jogador do City deixa a bola sair pela linha lateral. Mas a bola não é do time azul. Um torcedor começa a jogar sua camisa contra a arquibanda, totalmente revoltado. Não se podia perder nenhum milésimo segundo em busca do sonho!

A bola voltou para o City. Aguero a domina na interdiária do QPR, pelo lado esquerdo. Avança. Balotelli, de costas para o gol, se prepara para fazer o pivô. Aguero vê, toca para Balotelli e avança, cruzando o campo da esquerda para a direita. A torcida do City vê no lance a última possibilidade de ser campeão. Todos em pé. Balotelli domina a bola, cai, mas mesmo no chão rola a bola para o lado direito. Aguero continua avançando e com o mesmo toque em que domina a bola, finta o zagueiro. Fica de frente para o goleiro. A torcida do City está prestes a explodir, a feição dos rostos que tanto mudou ao longo dos 90 minutos pode se transformar totalmente. Aguero chuta. Gol! A torcida do City transforma-se e todos, agora, tem um único sentimento, a alegria. Aguero corre em direção à torcida que pareceu ser tomada por uma hecatombe de entusiasmo. Todos gritam, se abraçam, pulam, cantam. A emoção da torcida invade os jogadores, técnicos. Não é mais a razão que domina a todos os azuis. É a emoção. Emoção esta que domina e que é a parte fundante de toda torcida. Não são mais jogadores em campo, são todos torcedores.

O juiz apita o fim da partida. Agora é real, o título é do City. A torcida invade o campo, um torcedor ajoelhado, paga promessa, que talvez já durasse décadas. Agora, milhares de torcedores estão no campo, que deixa de ser verde. Agora é azul!

Eu, deitado em uma cama, a milhares de quilômetros de distância, também me emociono. Não torço para o City. Mas como estes sou apaixonado por futebol e por um time de futebol. Os diferentes sentimentos que aqueles torcedores passaram, são sentimentos que já passei. Compreendo cada grito, cada choro, cada sorriso, cada palavrão que ali aconteceram, pois, no fundo, nossa paixão é a mesma: o futebol.

O comentarista da ESPN, Mauro Cezar Pereira, profere duas frases que sintetizam as emoções que esta arte chamada futebol produzem em bilhões de pessoas “Como alguém pode não gostar deste negócio” e “A melhor invenção do homem”.