segunda-feira, 8 de outubro de 2012

1714 ou 17:14

O ano era 1714. A Catalunha, mais uma vez, luta por liberdade contra Madri. Na batalha a derrota. No ideal o fortalecimento da nação catalã. Passam-se quase 300 anos. Agora o local da batalha é o estádio do Barcelona, Camp Nou. Mais uma vez, de um lado a Catalunha. Do outro Madri. Aos 17:14 a batalha sai do campo e vai para a arquibancada. Todo o estádio se levanta, bandeiras da Catalunha surgem de todos os lados. O estádio é "pintado" de vermelho e amarelo. Praticamente 100 mil pessoas girtam: Liberdade! Como dizem as várias bandeiras que todo jogo do Barcelona em casa se estendem no estádio: Catalunha não é Espanha. 

O Futebol extrapola fronteiras, mesmo que não o queiram os que dizem comandar o mesmo. Por isso todos os torcedores do Barça dizem: mais que um clube!


quinta-feira, 12 de julho de 2012

De volta ao lugar que nos cabe

Os últimos 13 anos, desde o título da Libertadores de 1999, são um hiato dentro da história super vitoriosa da Sociedade Esportiva Palmeiras. Pois bem, ontem o sentimento advindo da vitória e que ajudar a sedimentar o amor da torcida foi solto mais vez. E da melhor forma possível!

O enrendo foi dos melhores possíveis. Pelo local, pelo técnico que nos levou ao título, pela festa. Foi no Couto Pereira, no local em que sofremos uma das maiores goleadas, 6 a 0, ano pasado. Uma derrota que para muitos da impressa e para torcedores de outros times demonstrava o caminho que o Palmeiras tomava nos últimos anos, Menos para nós, Palestrinos! Ser Palmeirese é ser consciente dos problemas que afetam nossa diretoria, participar de uma torcida que faz campanha por Diretas Já, caso único no Brasil, talvez no mundo. E, principalmente, ser consciente da imensidão que tem a camisa verde e o time de Palestra Itália. Então, o título de ontem veio remomerar essa rica história.

Sendo assim, na noite de ontem, estávamos todos de volta ao Couto Pereira. 5.000 mil palmeirenses estavam lá, no estádio. Outros milhões estavam pelo Brasil todo. Cada torcedor palmeirense estava com sentimentos ambíguos. De um lado a angútia e o sofrimento pelos anos sem títulos. De outro, a certeza de que um time como o Palmeiras um dia retornaria ao lugar que lhe cabe. A vitória, o título e a grandeza fazem parte de nosso DNA!

O jogo passou, a vitória veio, o grito foi solto e o país voltou a ver aquilo que nós palestrinos temos certeza: Palmeiras decampeão nacional! O maior campeão nacional do país. 

Somos a única equipe do Brasil que ganhou todas as competições nacionais que aconteceram no Brasil. Taça Roberto Gomes Pedrosa, Taça Brasil, Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e até um pequeno torneio, que só ocorreu uma vez e fomos campeões, Copa dos Campeões.

Por isso: Aqui é Palestra!

domingo, 13 de maio de 2012

Como alguém pode não gostar deste negócio


Manhã de domingo, como amante do futebol, sabia que a possibilidade de ver a emoção estampada nos rostos do torcedor, a melhor imagem que este esporte pode propiciar, estaria presente na Inglaterra.

Disputavam o título Do Campeonato Inglês as duas maiores torcidas de Manchester e duas das maiores torcidas do país. De um lado o poderoso Manchester United, 19 vezes campeão inglês e a maior potência do futebol daquele país nos últimos 20 anos. Do outro, seu maior rival, Manchester City, 3 vezes campeão, mas que não vencia um Campeonato Inglês desde 1968, que ficou de 1978 até 2011 sem conquistar um único título. Mas que, mesmo assim, tem a maior torcida da cidade de Manchester, em um desses fenômenos de paixão, amor, desprendimento que fogem à lógica do capitalismo.

Para melhorar ainda mais o enredo, o Manchester City tirou uma vantagem de 8 pontos de seu maior rival e chegou na última rodada empatado em pontos, mas com melhor saldo de gols. Uma vitória simples lhe daria um título a muito esperado pelos torcedores do City.

O Manchester United enfrentaria o Sunderland. O Manchester City o Queens Park Rangers. Enredo melhor do que este impossível!!!

O estádio do City estava lotado. Sua torcida alegre, cantando, empolgada. Começam os jogos. Aos 20 minutos do jogo do United, Rooney faz 1 a 0. O título iria para o lado vermelho de Manchester. Pouco depois no jogo do City, aos 38, Zabaleta faz 1 a 0 para os azuis. A torcida grita, canta e vê o que pareceu por décadas inalcançável chegar. Eram crianças, homens, mulheres, senhores. Todos unidos por uma paixão: seu time! Uma paixão que tem no grito de campeão um momento crucial, mas, sem dúvidas, o City mostra que são os laços de solidariedade que envolvem sua torcida que fazem o City ser do tamanho que é.
Começa o segundo tempo. A torcida azul toma seu primeiro baque. O QPR empata com gol de Cisse. O título volta para a metade vermelha. A partir daqui quem ama futebol se apaixonou pelo jogo. A angústia toma conta da torcida do City. O título tão esperado não viria? Barton, jogador do QPR, é expulso. Um pouco de alegria volta aos rostos da torcida azul. Entretanto, aos 20 minutos do segundo tempo, o QPR virá com gol de Mackie. Pesadelo?

A angústia começa a predominar na torcida do City. Um jogador a mais, mas seu time não faz gol. O tempo passa, todos ficam de pé. O goleiro adversário começa a “fechar o gol”. Os minutos continuam passando e nada de bola na rede. Alguns rostos já começam a passar da angústia para a tristeza. 40 minutos de jogo. Lágrimas caem dos rostos de alguns. 45 minutos. Acabou? Não!

Aos 46 Dzeko faz o gol de empate. A torcida vibra, explode. A esperança que não tinha acabado volta a dominar a todos. O gol deixa o QPR na lona. Na saída, ao invés de tentar manter a posse da bola, o time dá um chute para a linha de fundo. Na torcida, todos de pé, nervosos, ansiosos, emocionados. Mãos na cabeça, pulos. Em um lance, o jogador do City deixa a bola sair pela linha lateral. Mas a bola não é do time azul. Um torcedor começa a jogar sua camisa contra a arquibanda, totalmente revoltado. Não se podia perder nenhum milésimo segundo em busca do sonho!

A bola voltou para o City. Aguero a domina na interdiária do QPR, pelo lado esquerdo. Avança. Balotelli, de costas para o gol, se prepara para fazer o pivô. Aguero vê, toca para Balotelli e avança, cruzando o campo da esquerda para a direita. A torcida do City vê no lance a última possibilidade de ser campeão. Todos em pé. Balotelli domina a bola, cai, mas mesmo no chão rola a bola para o lado direito. Aguero continua avançando e com o mesmo toque em que domina a bola, finta o zagueiro. Fica de frente para o goleiro. A torcida do City está prestes a explodir, a feição dos rostos que tanto mudou ao longo dos 90 minutos pode se transformar totalmente. Aguero chuta. Gol! A torcida do City transforma-se e todos, agora, tem um único sentimento, a alegria. Aguero corre em direção à torcida que pareceu ser tomada por uma hecatombe de entusiasmo. Todos gritam, se abraçam, pulam, cantam. A emoção da torcida invade os jogadores, técnicos. Não é mais a razão que domina a todos os azuis. É a emoção. Emoção esta que domina e que é a parte fundante de toda torcida. Não são mais jogadores em campo, são todos torcedores.

O juiz apita o fim da partida. Agora é real, o título é do City. A torcida invade o campo, um torcedor ajoelhado, paga promessa, que talvez já durasse décadas. Agora, milhares de torcedores estão no campo, que deixa de ser verde. Agora é azul!

Eu, deitado em uma cama, a milhares de quilômetros de distância, também me emociono. Não torço para o City. Mas como estes sou apaixonado por futebol e por um time de futebol. Os diferentes sentimentos que aqueles torcedores passaram, são sentimentos que já passei. Compreendo cada grito, cada choro, cada sorriso, cada palavrão que ali aconteceram, pois, no fundo, nossa paixão é a mesma: o futebol.

O comentarista da ESPN, Mauro Cezar Pereira, profere duas frases que sintetizam as emoções que esta arte chamada futebol produzem em bilhões de pessoas “Como alguém pode não gostar deste negócio” e “A melhor invenção do homem”.

terça-feira, 27 de março de 2012

De mãe para filho

O texto que segue abaixo foi escrito pela irmã de um companheiro de paixão verde, membro do fórum de discussão 3vv, Wagner Gimenez. Já foi publicado pelo blog do Juca hoje de manhã. Mas sem modéstia, já havia pedido autorização ao Wagner Gimenez, tio do Dante e irmão da Erika Gimenez Barbuglio, antes do Juca Kfouri postar o texto. A narrativa expressa como o futebol se mistura com outros dos grandes amores do ser humano, o filial e o maternal/paternal. Simplesmente belo!

POR ERIKA GIMENEZ BARBUGLIO*

Domingo tinha tudo para ser um dia mais que especial… e foi!

Desde o começo do ano, aquele garotinho, de uma hora para outra, passou a ser assíduo telespectador dos jogos do Palmeiras.

Não que tenha se tornado torcedor do Verdão apenas agora, isso provavelmente ele já é desde o ventre materno, palmeirense.

Como bem se sabe, filho de palmeirense quase não tem escolha, e quando é atingido pela febre verde, torna-se doente de vez.

Mas como criança, menino no auge dos seus 5 anos e alguns meses, não tinha ainda a paciência necessária para se concentrar nos 90 minutos de bola rolando, ao contrário do primo, de mesma idade, mas com outras cores no coraçãozinho.

Assim, após uma dose deliciosa e muito bem vinda de invencibilidade, com gosto de quero mais, passou a torcer, vibrar, pular, e a ter no olhar aquele brilho tão familiar, aquela febre tão verde…

Descobriu um novo ídolo, um Pirata, já que o Santo se afastara e o Mago, em retiro, buscava reinventar suas magias!

Vibrou com uma assombração aos adversários nas cobranças de falta, gritou gol no meu colo muitas e muitas vezes, fez dancinhas, girou a camisa no ar, pulando na bancada e no sofá de casa…

E deu seus primeiros passos na complicada arte dos xingamentos, sob um olhar preocupado, que alertava: “No jogo, pode… Mas só durante o jogo!”.

E ganhando esse importante aval, deliciava-se proferindo impropérios ao juiz da vez, muitas vezes nem sabendo o que dizia, me olhando de canto de olho enquanto eu, segurando o riso, ensaiava uma bronca: “Que foi, mãe ? Só no jogo… né?” .Coisa de moleque.

E coisa linda de se ver…

Antes que o politicamente correto entre em campo, eu sei que não parece certo, que os pais não devem incentivar seus filhos na arte do xingamento. Só que, para quem gosta de futebol, ou melhor, para quem ama o Palmeiras, o momento de duração de um jogo é um parêntese mágico na vida real, um instante de pura epifania…

Significa estar também em campo e, para um moleque como ele, tudo naquele espetáculo é fabuloso, são onze guerreiros, onze heróis que deveriam saber que a paixão de meninos como Dante está na ponta da chuteira, na garra de cada um, na vontade de vencer.

Cometer tais traquinagens faz parte da vida e logo mais ele dirá palavrões com os colegas, procurará seus significados no dicionário…

Por mais bobo que possa parecer isso significa amadurecer e tornar-se homem, e no que depender de mim, ele será um grande Homem, mesmo xingando o juiz durante o jogo!

Não foi o primeiro clássico da vida de Dante, outros tantos aconteceram desde o finalzinho de 2005, quando nasceu.

Mas foi um dos primeiros que ele se lembrará para o resto da vida, o primeiro assistido do início ao fim…

Com certeza, terminou sendo um dia de grande aprendiza do, de entrega, de paixão, de experimentar aquela montanha russa de emoções que significa ser palmeirense: da euforia à desolação em minutos!

Nós, pessoas grandes e crescidas, sabemos bem o que é isso, vivenciamos essa experiência tantas e tantas vezes antes. Mas ele ainda não sabia…

Em sua curta vida, estar invicto há tantos jogos era uma eternidade.Provavelmente ele não se lembrava de como era terminar um jogo derrotado.

Sentiu anteontem, no clássico, esse gosto terrivelmente amargo para um menino.

Sentiu o golpe, sofreu, chorou, se desesperou.

Como mãe, eu gostaria de ter o poder de tirar dele essa dor, de dizer que tudo aquilo era uma grande besteira, uma bobagem sem nenhum significado, apenas um jogo…

Apenas um jogo…

Mas como eu poderia dizer isso ao meu filho se eu, tantas vezes, me senti como ele?

Se eu, tantas vezes, quis gritar, chorar, quebrar coisas, e perguntar “porquê”?

Como adulta, eu jamais poderia agir dessa maneira, deixando a emoção mandar, mas ele, menino que acabara de completar seis anos, desenhando um Pirata num navio lançando de seus canhões bombas com o símbolo do Palmeiras, como poderia agir diferente?

E então, num momento catártico, deixei que ele colocasse para fora o que sentia, assistindo com muita dor meu filho sofrer, pela primeira vez, pelo Palmeiras, sofrendo junto, inutilmente. Ele estava sendo humano, demasiadamente humano, tentando reagir com diversas emoções conflitantes ao mesmo tempo.

De todas as heranças que os filhos herdam dos pais, o time do coração é questão das mais complexas.É bom ter a companhia dele na torcida e na vitória, mas vê-lo sofrer assim na derrota é muito doloroso.

Talvez fosse melhor esquecermos essa história de futebol e focarmos no que é importante da vida. Mas que graça teria?

Precisamos de ritos na vida moderna, e o futebol, embora seja comercialmente algo de potencial sem precedentes, cumpre essa tarefa.

Filho, você é um companheiro maravilhoso.

Inclusive na arquibancada…

Vê-lo cantar o hino, vê-lo torcer, receber seu abraço eufórico na comemoração do gol é algo que não tenho como descrever.

Mas saiba que em todas as derrotas que virão também estaremos juntos, íntegros, mais fortes e sábios, e aos poucos você aprenderá a lidar com elas, no campo, e, principalmente, fora dele. Eu te quero feliz, meu Principito!

Sobre o clássico perdido, só posso te dizer que a vida é assim, um dia ganhamos, no outro perdemos.

Mas, segura em minha mão, pois, permaneceremos, cantando, vibrando e ostentando a nossa fibra.

*Erika Gimenez Barbuglio é formada na Faculdade de Letras da USP e diretora de Recursos Humanos.

domingo, 4 de março de 2012

Racismo e Homofobia no esporte. Qual lição podemos aprender?

Na última quarta, 29/02, em Belo Horizonte, o jogador Wallace do Cruzeiro/Sada e da seleção brasileira de Vôlei ia para o saque contra o Vivo/Minas. Quando ele, e muitos outros no estádio, ouviram declarações racistas contra o mesmo de vários torcedores que o chamaram de "macaco". As agreções continuaram durante todo o jogo. Ao final da partida, indagado sobre o episódio, o jogador disse que quase ficou fora de controle pela humilhação que sofreu.


Casos de racismo contra esportistas são comuns na Europa, principalmente de jogadores origem/ascendência africana e sul-americana. Já no Brasil nos últimos anos vimos casos de jogares de futebol agredirem outros jogadores com palavras de cunho racista. Entretanto, a torcida proferindo palavras de cunho racista contra um esportista no Brasil, eu não me lembro de ter ocorrido. Mesmo que em um ginásio de Vôlei ser muito mais fácil de escutar uma agressão do que em um estádio de futebol. Além disso, dado o contexto mundial de aumento da xenofobia e do racismo no mundo, esse caso deve ser tratado com a maior atenção possível pela sociedade, pelos clubes de vôlei, pela CBV e pelo estado brasileiro.

Pois bem, no jogo seguinte, sábado, 03/03, o time do Wallace recebeu em Contagem o Vôlei/Futuro, que quando entrou em quadra, mostrou gestos que merecem todo destaque. Os jogadores entraram com a camisa do time sem a logomarca do patrocinador. No lugar os dizeres “VF Contra a Discriminação”. Além disso, todos os jogadores do Vôlei/Futuro estavam com o nome de Wallace, ao invés dos seus, na camisa. Para coroar, a camisa era toda preta.

Mais uma vez o time de Araçatuba teve uma atuação da mais dignas e que merece elogios. Lembremos que ano passado um jogador da equipe, Michael, sofreu agressões verbais homofóbicas em um jogo do Vôlei/Futuro contra o mesmo Cruzeiro/Sada. E a equipe tomou a causa do jogador para si, fez campanha contra a homofobia e o caso ganhou repercussão nacional, contribuindo para o debate contra a homofobia em nossa sociedade.

Agressões homofóbicas e racistas são comuns no cotidiano brasileiro e a sociedade e o estado muitas vezes não atribuem a devida atenção às mesmas. Além disso, ambas são fenômenos associados ao que o século de XX de pior legará para a humanidade, o totalitarismo/fascismo presente no indivíduo e na sociedade. Ou seja, esses casos expressam um sentimento por parte do indivíduo, ou de parte da sociedade, que considera que determinadas características suas (cor da pele e opção sexual) faça com que sejam melhores do que outras pessoas e que, por causa disso, as pessoas que não partilham de suas características perdem totalmente ou em parte sua própria humanidade.

Ganha maior destaque o fato de que em ambos os casos o ofendido foi uma pessoa considerada com um status maior pela sociedade, pois são atletas. E o agressor é um comum, um torcedor. Assim, o grau de superioridade que se atribui o sujeito é tão alto que ele agride até mesmo um atleta. Se faz isso com os mesmos, imagine o que não faz na vida cotidiana com pessoas que nossa sociedade atribui um status inferior?

Com tudo isso, quero dizer que se a homofobia chega até aos atletas, pessoas com status superior em nossa sociedade, e proferidas por torcedores é porque o nível de fascismo presente na sociedade alcança níveis preocupantes e devem ser tratados com toda seriedade pelos atletas, clubes, confederações e, principalmente, pela sociedade e pelo estado brasileiro!

Assim, a atitude do Vôlei Futuro de denunciar e apoiar os agredidos em ambos os casos merece aplausos e colocam o esporte no patamar que realmente é o seu: de uma prática cultural que mantêm intima relação com a sociedade e, que por isso, tem uma função social a desempenhar para a qual não pode virar as costas!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Voltei!

Leitores,
Após um afastamento do blog, retorno ao mesmo. E o que me motiva é a relação entre futebol e política que novamente vem à tona com a decisão do Supremo Tribunal Federal que julgou improcedente as ações do PP em uma ADIN (Ação de Inconstitucionalidade) contra o Estatuto do Torcedor.

O PP argumentava em sua ação que o Estatuto feria a liberdade de expressão de uma associação privada e que era uma intervenção estatal, ferindo a autonomia esportiva. O STF seguiu o voto do relator, Cezar Peluso, e determinou que todo o Estatuto do Torcedor é legal.

A votação do STF é histórica, pois entender que o futebol faz parte da cultura nacional e que o mesmo é um direito do cidadão, cabendo, então, ao Estado legislar e garantir os direitos do cidadão em relação ao esporte.

Ou seja, cai por terra a argumentação daqueles que só lembram que o esporte é público na hora de receber dinheiro do governo!

Cabe a presidenta Dilma se valer da decisão do STF e retirar "0 grande ditador" Ricardo Teixeira da CBF.



terça-feira, 7 de julho de 2009

Você acredita nisso?

O presidente Lula, a partir de hoje, irá assinar uma coluna semanal em vários jornais do país. Na mesma, nosso chefe do executivo responderá três perguntas de cidadãos brasileiros, uma delas me interresou a fazer um comentário, veja qual foi:


Natália Miranda Vieira, 36 anos, professora universitária de Natal (RN) - Como o governo federal vai garantir que não haja uma sangria de dinheiro público nas obras que serão realizadas para a Copa de 2014, a exemplo da que ocorreu nas obras para os Jogos Pan-americanos de 2007?
Luiz Inácio Lula da Silva
- Não houve sangria do dinheiro público. Os investimentos no Pan superaram o previsto porque o planejamento inicial, que não foi da responsabilidade do nosso governo, não previu itens necessários para a execução do evento, como por exemplo, segurança pública e a capacidade de 45 mil lugares do estádio João Havelange, projetado para apenas 10 mil pessoas. O governo federal teve que arcar com compromissos do estado e do município, o que não acontecerá com a Copa de 2014. Vamos fazer um planejamento detalhado das obras e depois reunir representantes dos estados e dos municípios sedes para definir responsabilidades, dando transparência ao processo. O Ministério do Esporte vai monitorar as obras para que tudo esteja pronto antes de 2014.

A pergunta de Natália é extremamente relevante, haja vista o histórico de usurpação (roubo) do público pelo privado em nosso país, que tem em obras públicas um de seus principais sustentáculos.

Infelizmente, a resposta do presidente só faz aumentar a certeza de que a Copa do Mundo será um espetáculo para poucos e feita com o dinheiro de muitos. Isso porque, o presidente mente ao dizer que não houve sangria no Pan do Rio. O orçamento inicial do evento foi redimensionado em mais de 1.000%, o Tribunal de Contas da União rejeitou as contas do evento e uma CPI na Câmara dos vereadores do Rio só não ocorreu porque o então prefeito, Cesar Maia, "mexeu os pauzinhos" para acabar com a Comissão. Ou seja, segundo o presidente, um sujeito honesto errou em mais de 1.000% a previsão de gastos do Pan, mas sem nenhum dolo. E nosso bondoso governo teve que reparar o erro do administrador público (merece esse nome?) com o nosso dinheiro.

Além disso, mal foram oficializadas a sede da Copa de 2014 e já teve governador dizendo que não terá dinheiro da iniciativa privada para o evento e que devido a grandeza do mesmo, valerá a pena o investimeno público. Por fim, nosso ministro dos Esportes já garantiu à FIFA que a mesma não pagará impostos em nosso país para administrar o evento, pois a bancada da bola já assegurou que aprovará lei para exonerar a entidade máxima do futebol.

Enfim, você acredita em alguma palavra dita acima pelo presidente Lula? Eu não.